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29/09/2017

Confira o texto escrito por Frei Serafim sobre a Fundação do Colégio Paulo VI


Confira o texto escrito por Frei Serafim sobre a Fundação do Colégio Paulo VI
“O Colégio Paulo VI surgiu em boa hora, com bons propósitos, realizando um sonho de toda a sociedade, de todas as famílias: um bom Colégio para os seus filhos.”
Confira o texto escrito por Frei Serafim do Amparo, OFM Cap, um dos primeiros diretores do Colégio Paulo VI, sobre a vinda dos Frades Capuchinhos em Vitória da Conquista e o surgimento do Colégio.

HISTÓRIA DOS CAPUCHINHOS EM VITÓRIA DA CONQUISTA

A história dos Capuchinhos em Vitória da Conquista tem sua origem nos idos de 1941, conforme se lê no Livro de Tombo da Diocese.

“Aos seis de janeiro de mil novecentos e quarenta e um, às nove horas da manhã, dia de Epiphania, à estação da Missa Paroquial dei, na forma Canônica, após a leitura da provisão passada pelo Exmº e Revmº Arcebispo Primaz, posse ao Revmº Frei Egídio de Elcito como Vigário Ecônomo da Freguesia. Fiz-lhe a entrega do Arquivo e demais documentos existentes da mesma Paróquia.

Conquista, 6 de janeiro de 1941.

Mons. Florêncio Vieira”

Nesses termos, lavrados em Ata pelo Monsenhor Florêncio Sizínio Vieira, Vigário da Paróquia de Amargosa e representante do Sr. Arcebispo Primaz da Arquidiocese da Bahia, era documentada a chegada dos Capuchinhos à Paróquia de Nossa Senhora da Vitória e o início das suas atividades religiosas, cinquenta e sete anos atrás. Era o enlace religioso entre a Comunidade Conquistense e a Ordem dos Capuchinhos da Bahia.

A celebração dos 40 anos da criação da Diocese de Vitória da Conquista – 14 de agosto de 1998 – evoca a presença dos Capuchinhos na nossa Cidade, e marca a sua influência em toda a história da Diocese.

A Vila de Conquista fora emancipada do Município de Caetité, civilmente, pela Lei Provincial nº 124, de 19 de maio de 1840, com o nome de Imperial Vila da Vitória.

Posteriormente, a Imperial Vila da Vitória fora elevada à categoria de cidade, com o nome de Conquista. Só muito depois, em 31 de dezembro de 1943, pelo Decreto-Lei Estadual nº 141, de 31 de dezembro 1943, passou a denominar-se Vitória da Conquista.

Até 1940, Amargosa e Conquista, religiosamente, faziam parte da Arquidiocese do Salvador.

Criada a Diocese de Amargosa em 1940, a Paróquia de Vitória da Conquista, consagrada a Nossa Senhora da Vitória, foi desmembrada da Arquidiocese da Capital, e constituída Paróquia autônoma, sendo governada por um Vigário Ecônomo, praticamente um Administrador Apostólico, escolhido e nomeado pelo Sr. Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil D. Augusto Álvaro da Silva. O escolhido para este cargo foi o Frei Egídio de Elcito, missionário capuchinho, do Convento Nossa Senhora da Piedade, da cidade do Salvador. O Frei Egídio de Elcito tomou posse no dia 06 de janeiro de 1941, como se lê na ata do Livro de Tombo.

O Frei Egídio de Elcito já tinha estado em Conquista, em 1932, “dando missão”, juntamente com outro missionário Capuchinho, o Frei Pedro de Crispiero, época em que era Vigário o Padre Exupério Gomes, de feliz memória. No encerramento da missão, o Frei Egídio lançara a primeira pedra da igreja matriz, atual Catedral. Ademais, para que os trabalhos não sofressem descontinuidade, o Frei Egídio organizou também a “Comissão das Folhas Semanais”, que tinha por objetivo arrecadar o numerário necessário para o pagamento semanal dos trabalhos da construção da igreja.

Por feliz coincidência, em janeiro de 1941, a Paróquia de Nossa Senhora da Vitória recebe como seu Vigário, o incansável Frei Egídio de Elcito.

A partir desta data, a história de Vitória da Conquista é intimamente ligada à vida dos Capuchinhos, e eles fazem parte do seu desenvolvimento, da sua vida religiosa e cultural.

A Catedral de Nossa Senhora da Vitória, majestosa e imponente, dominando o panorama da Cidade, construída num trabalho denodado e voluntarioso, tem seu nome ligado aos Capuchinhos desde a primeira pedra, até aos últimos traços da pintura. Começada em 1932, teve os seus trabalhos interrompidos em 1939, por dificuldades financeiras. “Estando a igreja coberta e ladrilhada”, como se lê no Livro de Tombo, era ocasião para uma parada de descanso.

Com a chegada dos Capuchinhos, em 1941, e providencialmente, com a presença do Frei Egídio de Elcito, Vigário Ecônomo da grande Paróquia, os trabalhos foram recomeçados no dia 30 de janeiro de 1941, sendo concluídos, definitivamente, em 17 de janeiro de 1948.

Construção da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora das Vitórias

No Livro de Tombo são narrados, minuciosamente, vários fatos relativos à nova igreja: 15 de agosto 1943. Festa da Padroeira N.S. da Vitória. Neste dia benzi o novo sino de 152 quilos… 28 de outubro 1943. Hoje chegou o Pintor José Lima para pintar a Igreja que já está acabada, faltando os altares… 1º maio 1944. Terminei hoje de tirar os andaimes da matriz, estando terminada também a pintura”. (Livro de Tombo, fls. 02).
A belíssima Igreja recebeu a bênção de inauguração em 17 de janeiro de 1948, em ato religioso presidido pelo Frei Egídio, representando o Sr. Arcebispo Primaz da Bahia.

Em 28 de novembro de 1946, o Frei Egídio de Elcito foi nomeado Superior Maior dos Capuchinhos, tendo que mudar-se para o Convento da Piedade, em Salvador, sede da Cúria Provincial. Para substitui-lo, foi designado como pároco, o Frei Miguel Ângelo de Cingoli, que juntamente com o Frei Pio de Esplanada e Frei Apolônio de Barra de São Pedro eram Vigários Cooperadores da grande Paróquia.

Numa espécie de relatório, o Livro de Tombo da Fraternidade, traz, às fls. 04, v, outras informações preciosas: “No dia 11 de janeiro de 1947 voltei para Conquista para entregar a Paróquia a Frei Miguel Ângelo de Cíngoli… No dia 17 de janeiro benzi a Nova Matriz, autorizado pelo Exmº Bispo e no dia 19 dei posse ao novo Vigário e aos Cooperadores Frei Apolônio de Barra São Pedro e Frei Pio de Esplanada. A Matriz e os altares estão terminados e a Igreja inaugurada. Laus Deo et honor Mariae”.

Em janeiro de 1947, o Frei Egídio encerrou definitivamente as suas atividades em Vitória da Conquista, deixando um trabalho bem organizado nas mãos de excelentes colaboradores.

Com os novos Superiores da Província da Bahia, também a fraternidade de Vitória da Conquista recebeu outros reforços. Foi assim que em fevereiro de 1948, encontramos novos trabalhadores nesta vinha do Senhor. Como Vigário, foi nomeado o Frei Izidoro de Loreto, tendo como cooperadores o Frei Miguel Ângelo de Cingoli, e o Frei Romano de Offida, italianos de muita fibra e grande zelo apostólico.     

Em 1956, o Frei Miguel Ângelo foi transferido para Feira de Santana, e a freguesia ficou entregue ao Frei Benjamim de Villa Grande, removido da Fraternidade de Alagoinhas, que veio com muita garra e muita vontade de trabalhar.

As primeiras providências que deveriam ser tomadas eram essenciais para o futuro da grande Paróquia, já com perspectivas de se transformar em Diocese. Eram imprescindíveis: a aquisição de uma Casa residencial para o futuro Bispo Diocesano; as dependências para a instalação da Cúria Diocesana; o terreno para a construção do Seminário da Diocese, etc. O Frei Benjamim foi providenciando, minunciosamente, todos esses itens. O Palácio Episcopal foi construído na Praça João Gonçalves, n.º 156, com dois andares, na esquina com a Rua João Pessoa, onde, atualmente, funciona uma Clínica de Ortodontia. O terreno escolhido para o Seminário Diocesano, foi junto ao Parque Theopompo de Almeida.

Em l958, tudo estava pronto para a criação da nova Diocese, aguardando-se apenas o ato jurídico que seria emanado da Santa Sé.

Em 27 de abril de 1958, finalmente, saiu a nomeação do primeiro Bispo de Conquista, sendo escolhido para o cargo, o Reitor do Seminário da Diocese do Senhor do Bonfim, Mons. Jackson Berenguer Prado. “No dia 14 de agosto – narra o Livro de Tombo – grandiosa recepção do novo Bispo Dom Jackson Berenguer, e à noite criação da Diocese de Vitória da Conquista” (fls. 58). Em sessão solene, foi instalada a nova Diocese. No dia 15 de agosto de 1958, festa de Nossa Senhora da Vitória, Dom Jackson tomou posse da sua Diocese, nova e cheia de esperanças. Era a Festa da Padroeira. Houve a Missa solene, cantada, abrilhantada pela Schola Cantorum do Seminário Santo Antônio dos Capuchinhos de Feira de Santana. Era uma espécie de despedida dos Capuchinhos da sua Paróquia de Nossa Senhora da Vitória. Por dois anos eles ficariam ainda prestando serviços na catedral, como Vigários, em tudo auxiliando os primeiros passos da nova Diocese.

Entrementes, era também urgente e necessário, um novo espaço para a Fraternidade Capuchinha, tendo em vista que mais dias, menos dias, a Paróquia transformada em sede da Diocese, teria o seu próprio Vigário, do Clero Diocesano, e assim não haveria mais lugar para os religiosos capuchinhos no recinto paroquial. Em outros termos, os Capuchinhos estavam para entregar a casa onde tinham morado e trabalhado desde 1941, e precisavam de outro canto onde pudessem construir o próprio ninho. Em vista disso, os Superiores Maiores determinaram que os frades procurassem um terreno onde construir um Convento/Seminário. Os Capuchinhos rumaram para o outro lado da Cidade, para um bairro ainda em formação. Foram eles os Pioneiros do Oeste, no Bairro do Departamento. A mudança não se operou do dia para a noite. Foi gradativa e criteriosa. Adquirido o terreno, em janeiro de l957, teve início, em 2l de março, a construção do Convento de Nossa Senhora de Fátima, futuro Seminário Seráfico da Província da Bahia. Os Capuchinhos trabalhavam na Paróquia de Nossa Senhora da Vitória e, ao mesmo tempo, cuidavam, também, da futura Casa Religiosa que estava sendo construída no Bairro do Departamento, na saída para Brumado. Juntamente com a construção do Seminário, os Capuchinhos abriram a primeira Escola no Bairro, ao lado da Igreja, aproveitando o galpão que servira de depósito para o material de construção, e que passou a abrigar cento e cinquenta alunos do ensino primário. Surgia, assim, a Escola Centro de Assistência Social Nossa Senhora das Vitórias, nascente do Colégio Paulo VI. O nome da Escola foi colocado, obviamente, em homenagem à excelsa Padroeira.

Construção da Seminário Seráfico de nossa Senhora de Fátima

Em 01 de janeiro de l960 foi criada a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, com sede na Igreja dos Capuchinhos, (o Santuário ainda em construção). Era a primeira paróquia depois da Catedral. A Fraternidade estava assim organizada: Frei Miguel Ângelo de Cingoli, Guardião da Comunidade; Frei Graciano de Santo Elpídio, Vigário; Frei Salvador de San Marino Diretor do Seminário; Frei Gregório de Frei Paulo, Vice-Diretor, Frei Virgínio de Civita Nova, Vigário Cooperador, com os demais confrades.

Logo depois, veio também o Frei Adriano Cognini de Monsampietrangeli que se tornou célebre pelo número de igrejas, casas e salões paroquiais que construiu em todo o interior da paróquia de Fátima. A construção do Santuário, iniciada em 05 de fevereiro de 1961, foi concluída em 02 de fevereiro de 1964. Muito trabalho, muita abnegação, muito idealismo.

Em 1966, o Seminário Seráfico de Fátima recebe novos reforços. No remanejamento trienal da Província da Bahia foram designados para Vitória da Conquista o Frei Bernardo Alves como Irmão Coadjutor, o Frei Lourival Vilares como Vigário, e Frei Serafim do Amparo como Vigário Cooperador. Neste ínterim, um grande marco na vida de Conquista. Para melhor assistência do ponto de vista educacional projetou-se a construção de um ginásio que atendesse à população do Bairro. Complementando a obra iniciada com o Centro de Assistência Social Nossa Senhora das Vitórias, em 1957, dez anos depois, em 1967, os Capuchinhos abriam as portas para a mocidade estudantil agora com o nome “COLÉGIO PAULO VI”. A instituição não tinha objetivos financeiros, lucrativos, com visão empresarial! Visava apenas a oferecer à Comunidade uma Escola Padrão, de qualidade, que atendesse, dignamente,  à população do lado Oeste. O COLÉGIO PAULO VI surgiu em boa hora, com bons propósitos, realizando um sonho de toda a sociedade, de todas as famílias: um bom Colégio para os seus filhos. E os seus frutos estão aí, reconhecidos por todos: Professores, Médicos, Advogados, Engenheiros, Magistrados, Contadores, Bioquímicos, Funcionários Públicos, enfim, profissionais liberais em todos os setores, têm nos seus currículos o nome do COLÉGIO PAULO VI. Inclusive na vida religiosa e no Ministério Sacerdotal.

Frei Serafim entre Dr. Anfrésio ( Inspetor de Ensino) e a Professora Maria Glorinha e os Primeiros Alunos e Professores e a Secretaria Julia.

Nesses anos vividos em Conquista, os Capuchinhos se sentem integrados na vida da comunidade, e estão conscientes de que o seu trabalho, a sua dedicação e o seu idealismo, muito contribuíram para a formação da sociedade conquistense.

 

Ao festejarmos o aniversário da Cidade – 09 de novembro – é gratificante relembrar a figura dos Capuchinhos e a sua história entre nós.

Vitória da Conquista, 05 de novembro de 1998.

 

                                              Frei Serafim do Amparo, OFM Cap

 


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